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Pantanal
O Pantanal, é um bioma constituído principalmente
por savana estépica alagada com altitude
média de 100 metros, situado no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul,
além de englobar o Paraguai e a Bolívia.

Sua constituição, única no planeta, é resultado da separação do oceano há milhões de
anos, formando o que se pode chamar de mar interior.
A planície é levemente ondulada, pontilhada por raras elevações isoladas, geralmente
chamadas de serras e morros, e rica em depressões rasas.

Chegar lá de bicicleta
A idéia de viajar de bicicleta surgiu na volta de um passeio na Usina da Fumaça em julho de 2006.
Gostaria de fazer um passei grande e que não fosse para o litoral.
Já namorava o pantanal pelo mapa desde a infância, logo pensei se minhas pernas dariam conta
de me levar lá...
A bicicleta foi ganhada no sorteio de aniversário do Sr. José Braz no ano de 2003, uma bike muito simples.
Seis meses de muito planejamento e estudo de mapas foram necessários.
De última hora coloquei dois pneus mais lisos e um rolamento no pedivela monobloco normal.
Depois, coloquei uma garupa,
onde levei a bolsa e um barraca em cima amarradas com cordas elásticas.
Abaixo, um alforge que foi desenhado por minha mãe e fabricado com lonas de caminhão pelo Aroldo, um amigo capoteiro funcionário do Rodoviário Líder .
No guidão da bicicleta levei uma prancheta com vários mapas detalhados.

A viagem se iniciou na cidade de Muriaé no dia 05 de janeiro de 2007.
Estava chovendo há vários dias, era o início das enchentes.
A saída da cidade foi pela MG-265, passando pelo bairro Santana por volta de 15:00 hs onde parei para comprar
o primeiro filme da máquina.
A primeira foto, um cavalo puxando a carroça. Até então, para minhas pernas, aquilo não havia muito significado.

Após andar aproximadamente uma hora, a corrente quebrou várias vezes.
Passei raiva! Cheguei na cidade
de Miraí empurrando a bicicleta!
Mesmo irado, aquilo era muito pouco para pensar em desistir.
Andei 30 Km no primeiro dia. Bem abaixo do esperado!
Passei minha primeira noite por lá mesmo em um hotel.

No dia seguinte, com uma chuva intensa, comprei uma corrente nova e segui rumo à Cataguases-MG.
O preparo físico estava muito bom, valeram os treinos, mas devido a chuva, as assaduras começaram.
No segundo dia cheguei até Rio Pomba-MG, onde arrumei um hotel para ficar.

Como imaginado, o terceiro dia seria ainda pior: subir a serra da mantiqueira empurrando a bike para chegar em barbacena (coisa de doido)!

No quarto dia peguei a estrada sentido Oeste.

Um ótimo caminho com várias descidas até Tiradentes e São João Del Rei.

A fome apertou!
Parada para um almoço feito em fogareiro a alcool e descanso em algum lugar legal da estrada.

Lá na frente dava pra ver Tiradentes e a Serra das Vertentes ao fundo.

Paisagens maravilhosas! Só de bicicleta para curtir tão intensamente!
Parava sempre em alguma sombra com alguma recompensa.

A esta altura estava vendo muita água e aos poucos ia sentindo falta da mata atlântica.
Passei por enormes plantações de
milho e cana no interior de Minas Gerais.

Este lugar abaixo é Boa Esperança-MG. Uma cidade com um lago enorme!

No outro dia peguei uns 40 km de estrada de chão.
No final, precisei pegar uma balsa
até Carmo do Rio Claro-MG.
Cheguei exatamente na hora da última balsa. Se perdesse, teria que acampar por alí mesmo.

A travessia demorou uns 40 minutos. Foi muito legal, várias pessoas estavam
curiosas fazendo perguntas sobre minha aventura.

Este foi um bom trecho da Estrada Real.
Minas Gerais sempre me surpreendeu...

Minha última noite neste estado foi em Itaú de Minas-MG.

Cheguei no estado de São Paulo pela rodovia SP-345 até a cidade de Franca-SP, onde tive ajuda de um camarada que me encaminhou até uma pensão para descansar.

No outro dia, fiz o maior trajeto pedalado: Franca-SP x Barretos-SP, uma distância de 130 quilômetros.

Já estava craque no pedal. Levantar e pedalar já era uma cobrança do corpo.
Rapidinho cheguei em São José do Rio Preto-SP.

Durante uma chuva havia uma moça em uma moto com um pneu furado na pista. Logo
me pediu que chamasse um borracheiro na próxima cidade (Floreal-SP).
Após conseguir o socorro, um pessoal de um restaurante veio me perguntar
que raios eu estava fazendo alí.
Depois de convencê-los que aquilo era um descanso mental
fui convidado a passar uma noite lá.
Ganhei um prato enorme de arroz, bisteca e macarrão. Estava uma delícia, foi muito legal!

Pedalei até Pereira Barreto-SP, onde fiquei o meu primeiro dia só descansando, curtindo as praias fluviais do rio Tietê, sem bicicleta.
No dia seguinte fiz sua travessia.

Foi muito pedal até aqui!
Bem vindo ao Mato Grosso do Sul!

Não foi tão fácil assim!

As férias já iam se encurtando, precisava me adiantar para conhecer o Pantanal.
Embalei a bicicleta e peguei um ônibus até Corumbá-MS, onde remontei-a.

Na primeira noite em Corumbá-MS comecei a notar a forte presença dos bolivianos na cidade.

E, no segundo dia, o primeiro contato real com o Pantanal.
Emocionado, senti alguns calafrios.

Bem diferente do que eu imaginava, não havia mata fechada!

Corumbá me impressionou!
Neste mesmo dia, fui à Bolívia.

Conheci um pouco da cidade de Puerto Suarez.
Fiquei impressionado com o comércio agitado da gasolina mais barata.

Voltei à Corumbá-MS e peguei a Estrada Parque do Pantanal.
Foram vários kilometros, várias pontes e alagados.
Sempre cercado pelos mosquitos.

Jacaré já era amigo. Estava por toda parte.
Eu estava quase sozinho!

Tuiuiús enormes passavam por mim a todo tempo.

Mesmo com medo da onça, enfrentei uma grande tempestade e consegui chegar até
o Porto da Manga, um vilarejo de pescadores na margem do Rio Paraguai.
A única pousada estava sem hóspedes, pois, janeiro é época da pesca proibida.
Fiquei em um quarto no térreo mesmo.
Mais tarde, sozinho no quarto escutei um motor parando e... lá se foi a luz!
O gerador do hotel é desligado em determinado horário.
Por minha sorte, a lanterna estava bem ao meu lado.

Meu segundo dia no Porto da Manga foi num domingo.
Tive tempo de sobra para observar as embarcações...

ver grandes navios de minério descendo o Rio Paraguai...

consegui fazer amizade com muitos, conviver e até almoçar em uma casa sob palafitas...

É difícil imaginar tudo isso alagado na época da cheia...

..o pantanal é um lugar único no mundo!
No fim da tade me deparei com um pôr-do-sol inesquecível no Rio Paraguai!

Conheci também o Peixe, uma pessoa que se destaca na vila por sua bravura e experiência pantaneira.
Fechamos a noite bebendo cachaça e trocando idéias até o gerador parar e terminar toda a luz.
Não havia silêncio! Milhares de sons, destacando-se os sapos.
Hora de dormir!

Na segunda-feira não havia mais farra!
Todos impecáveis ao trabalho. Notei quanto têm responsabilidade!
Eu, o único de férias ali, fiquei àtoa o dia inteiro.
Outro pôr-do-sol me deixou boquiaberto!

Já havia pedalado muito! Depois da tempestade e o perrengue para chegar no porto da manga
bastou pedaladas por alí.
Minha esposa e meus pais foram me buscar depois de 3 noites passadas lá. Descemos para Bonito-MS

Só quem já viajou de bicicleta para saber o que eu senti.
A bicicleta, mesmo simples, não deu maiores problemas e se comportou muito bem!
Muitos me perguntam quantos pneus foi preciso... Na verdade, foi um só, e nem gastou!
Recomendo rolamento da roda traseira. Por causa do peso, a caixa de esferas ia gastando
e a roda ficava bamba. Por isso fui de Muriaé até lá só com freio da frente.
Agradeço ao Rodoviário Líder pelo apoio!
Uma higiene mental! Experiência incrível!

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